Grandes bombardeios da História
História

Grandes bombardeios da História

O presente artigo apresenta os maiores bombardeios da História, dissecando superficialmente os bombardeios táticos como o de Dresden, em 1945, como o de Hiroshima, também em 1945, e os estratégicos, como o grande bombardeio do Brasil em Setembro de 2015. Nos dois primeiros, os objetivos militares foram alcançados pouco depois dos fatos, mas o do Brasil em 2015 os objetivos só serão alcançados em alguns anos, à medida que os efeitos de longo prazo causados pela ação do inimigo surjam em sua plenitude.

Dresden, Fevereiro de 1945

Dresden é uma cidade alemã que, na época do bombardeio, em 1945, tinha cerca de 650.000 habitantes, aos quais se somavam cerca de 400.000 refugiados do leste europeu, que fugiam devido à aproximação do exército russo. A cidade era considerada um marco do barroco arquitetônico, contando com belíssimos prédios naquele estilo, e era considerada uma Florença alemã. O bombardeio ocorreu em vários ataques, feitos por 1.300 bombardeiros ingleses e americanos, durante os quais foram despejadas cerca de 3.900 toneladas de bombas de alto poder destrutivo e incendiárias, o que causou a destruição de 3.308 prédios residenciais dos 3.420 que existiam na cidade.

Também foram destruídos 75 edifícios municipais, 6 teatros, 2 museus, 19 igrejas, 22 hospitais e 72 escolas. Com o início das operações de resgate e socorro, em Março de 1945, foram encontrados 202.400 corpos, principalmente de mulheres e crianças, sendo que 68.000 foram incinerados em loco, devido às dificuldades de remoção na cidade ainda em chamas. Os pilotos dos aviões, horrorizados com que viam lá embaixo, diriam depois que, mesmo dentro dos aparelhos, os reflexos rubros vindo de 2.000 m abaixo iluminava suas faces contraídas.

Hiroshima, 6 de Agosto de 1945

A cidade japonesa de Hiroshima foi destruída por uma bomba atômica de 64 kg de urânio 235 às 8:15 da manhã, que explodiu a 600 m do solo para ampliar seu efeito destrutivo. O calor de 300.000 graus C°, as ondas de choque e os ventos violentos causados pela explosão varreram a cidade do mapa, e causaram cerca de 180.000 mortos, sem contar os que perderam a vida depois, devido às queimaduras da radiação atômica.

Em Julho, o imperador do Japão, Hirohito, havia recusado uma proposta de rendição feita pelos americanos, e o presidente Harry Truman, seguindo seus assessores civis, resolveu detonar a bomba baseado nos cálculos de especialistas que apontavam para mais de 1 milhão de mortos com a invasão militar tradicional do Japão. O próprio chefe da marinha japonesa, Almirante Onishi, alertou o imperador que 20 milhões de japoneses morreriam tentando defender o seu solo sagrado. Logo depois, uma outra bomba atômica de plutônio explodiu sobre Nagasaki, e a 2 de setembro o imperador assinou a rendição incondicional.   

Brasil, Setembro de 2015

No Brasil, o bombardeio, que continua a todo o vapor, parece ser estratégico, isto é, os efeitos tardios são de maior importância do que os efeitos imediatos. Os autores efetuaram um teste para avaliar os estragos em 1998, no estado de Roraima, que foi vítima de um enorme incêndio florestal incontrolável, que queimou 40.000 km² do estado, a área da Dinamarca. Direcionado a áreas não habitadas, as labaredas mataram 12.000 cabeças de gado, e um número quase infinito de formas de vida nativa, como tamanduás, onças, veados, cutias, pacas, tatus, cobras, iraras, ariranhas, macacos, etc. A flora nativa também foi exterminada, e várias espécies vegetais que talvez um dia fossem tidas como portadoras de drogas revolucionárias na cura de doenças foram extintas.

Entusiasmados com o estrago, cujos efeitos tardios, como a crescente aridez do solo, a diminuição das chuvas, o extermínio de animais e plantas, o aumento da temperatura, o assoreamento dos rios e a seca inclemente, os inimigos passaram ao ataque a nível nacional, e as queimadas passaram a ser consideradas traços culturais, como no vale do Rio Doce em Minas Gerais, onde o rio, moribundo, seca pouco a pouco devido a incêndios florestais que destruíram quase todas as suas nascentes.

No Brasil inteiro, o inimigo conseguiu começar focos de queimadas, similares às bombas de fósforo jogadas em Dresden, em números crescentes, e já em 2014, 180.000 queimadas destruíam o país, número que chegou a exorbitantes 184.000 até outubro de 2015. Considerando, modestamente, que cada queimada atinja 1 km² de destruição, foram incinerados 184.000 km² do Brasil, quase o estado do Paraná, em 2015, até outubro. O governo, preocupado, e sabendo que queimadas não ocorrem em países civilizados, mas são usadas amiúde em países africanos e asiáticos, começou a estudar o assunto, e inicialmente pensou num grande conluio formado por 184.000 fumantes que jogaram, de forma sincronizada, seus tocos de cigarro exatamente em lugares que haviam sido desflorestados, ou em pastos por “limpar”.

Especialistas, no entanto, lembram das palavras de José Bonifácio de Andrada, que já em 1820 dizia que queimada era a nefanda associação de ignorância, preguiça e má-fé, e associam as labaredas à “geração palmeira-imperial”, um fração de maus brasileiros que não dão valor a seu país, e dão as costas a suas riquezas naturais, sua cultura, sua fauna e flora, e que, além do hábito bizarro de só plantarem palmeiras imperiais colombianas, criam desaforos para descrever nossos sofridos animais, como, por exemplo, “anta”, para pessoas pouco inteligentes, ou “amigo da onça” para rotular traidores. Não é preciso pensar muito para identificar os verdadeiros amigos da onça…

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