O aquecimento do planeta Terra
Geografia

O aquecimento do planeta Terra

A cada segundo, o sol consome 4 milhões de toneladas de hidrogênio, convertidos, através da fusão nuclear, em hélio, com uma colossal produção de energia. Uma parte ínfima dela atinge a Terra, atravessa a atmosfera e aquece a sua superfície, que libera parte desta energia em forma de radiação infravermelha que, em sua maior parte, volta ao espaço. Uma parte dela, no entanto, é absorvida pelo vapor de água da atmosfera, e aquece o planeta. O gás carbônico da atmosfera age como uma cobertura de vidro, similar às de uma estufa; deixa passar a luz, mas impede a saída do calor.

A Terra, formada há 4.6 bilhões de anos, sempre teve altos teores de CO2 em sua atmosfera, gerado por milhares de vulcões que se estendiam por amplas áreas do globo. Com o aparecimento da vida, há cerca de 3,5 bilhões de anos, a atividade de bactérias, que fixavam o carbono do ar em rochas, conhecidas como calcários, depois a atividade das plantas, que fixaram o carbono do ar em imensas jazidas de carvão, e a atividade de micro organismos marinhos que formaram os grandes depósitos de petróleo, diminuíram radicalmente a concentração deste gás na atmosfera, o que propiciou o aumento da concentração de oxigênio na atmosfera, maior do que a atual, de 21 %.

Isto permitiu a expansão da vida no planeta, não só em variedade de espécies, mas em seu tamanho. O apogeu desta festa parece ter sido o aparecimento dos dinossauros, há 250 milhões de anos atrás, que dominaram a Terra por cerca de 185 milhões de anos. O advento da agricultura, com a derrubada maciça de árvores, há 10.000 anos, e, mais recentemente, a industrialização crescente acompanhada da colossal queima de combustíveis fósseis, inverteu o processo, e a concentração de CO2 na atmosfera passou a crescer assustadoramente. A humanidade produz hoje cerca de 40 bilhões de toneladas de CO2, por ano, mais do que as florestas remanescentes e o mar conseguem absorver.

Estamos colocando de novo o carbono estocado debaixo da terra sob forma de carvão e petróleo, de volta na atmosfera. Como consequência, a concentração de CO2 no ar, que nunca ultrapassou a marca de 300 ppm (partes por milhão), se aproxima de 450 ppm, e os efeitos deste aumento sobre todo o ecossistema do planeta já se fazem notar. A temperatura da Terra, cerca de 14º C, aumentou 0,85 graus desde 1880, causando uma enorme diminuição na massa de gelo da Antártica, de 2002 a 2014, e, no hemisfério norte, uma variação negativa preocupante na massa de gelo da Groelândia, também entre os anos descritos.

Como o gelo derretido vai para os oceanos, o nível dos mares subiu constantemente de 1992 em diante, e os cientistas avaliam que todos os anos o nível dos oceanos sobe à taxa de 3,24 mm ao ano. Em cem anos, um piscar de olhos na história da Terra, serão 324 mm, isto se a taxa anual não subir devido ao aquecimento maior no futuro, o que é bem plausível, pois estamos queimando 93 milhões de barris de petróleo por dia, 21 milhões de toneladas de carvão também por dia, além das hediondas queimadas brasileiras, que, em 2015 causaram 236.000 focos de incêndios florestais, 28,6 % a mais do que em 2014.

Além de queimadas produzirem cerca de 300 toneladas de CO2 por hectare, a floresta destruída deixa de absorver cerca de 200 toneladas de CO2 por hectare/ano, uma conta que aterroriza cientistas no mundo inteiro, mas não traz nenhuma preocupação às autoridades ambientais do Brasil, que, em pleno século XXI, e com o planeta em crise ambiental, ainda permitem as queimadas “controladas”, como se fosse possível controlar fogo em florestas secas.

Como exposto anteriormente, os mecanismos naturais de absorção de CO2 da atmosfera, como os mares e as plantas, não estão mais dando conta do recado, e a tendência é que a concentração do gás na atmosfera continua crescendo. Para piorar tudo, a população mundial dobrou de 1970 a 2010, passando de 3,6 para 7 bilhões de pessoas, e continua crescendo à taxa de 90 milhões de pessoas por ano. 

A maioria dos cidadãos do planeta, no entanto, acha que o aquecimento global é coisa de cientistas malucos e seus computadores, mas a conta parece que já está chegando; o ano de 2014 tinha sido considerado pelos cientistas como o mais quente da história, mas logo depois o troféu foi para 2015. E agora, no início de 2016, a temperatura média de fevereiro foi 1,5 grau C acima da média histórica para o mês, calculada de 1951 a 1980.

O mais curioso deste processo todo é que, no passado, bactérias e plantas, retirando o CO2 do ar, propiciaram o início da vida no planeta, e o aparecimento do homem, o apogeu da evolução. E o ser considerado o apogeu, inteligente o suficiente para conquistar a lua, mas imbecil o suficiente para matar seus irmãos por causa de times de futebol, pode por tudo a perder e tornar a vida cada vez mais penosa no planeta, com a já previsível extinção de várias espécies, e talvez até a sua própria.

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