Extinção (1)
Meio Ambiente

Extinção (1)

O Brasil tem a maior biodiversidade do planeta, com mais de 190.000 espécies catalogadas, embora os cientistas garantam que conhecemos apenas 10% das espécies que habitam o país. O total, assim, deve chegar a 1.800.000 espécies brasileiras, quando todas estiverem identificadas e catalogadas. Na contramão, temos hoje 607 espécies ameaçadas de extinção, um crescimento assustador comparado às 395 de 2003.

Correm o perigo de desaparecer o manati, ou peixe-boi, um dócil mamífero aquático que outrora habitava o litoral brasileiro do Rio de Janeiro ao Amapá, hoje reduzido a cerca de 500 indivíduos. O lobo-guará, um belo canídeo que habita o cerrado, o sagui-caveirinha da Mata Atlântica, a ararajuba, a ave símbolo do Brasil por exibir as cores verde e amarelo, o mono muriqui, alvo de um louvável projeto particular de preservação em Caratinga, também figuram nesta lista obscena.

A flora brasileira também tem suas espécies na lista de risco

O panorama não é melhor para a flora brasileira. Das cerca de 75.000 espécies de nossa flora, (13% das espécies conhecidas) a mais rica do mundo, cerca de 4.617 espécies são consideradas vulneráveis e 2.118 correm nítido risco de extinção. Nesta outra lista suja, figuram o palmito jussara, a castanheira-do-pará, o pau-brasil e o pau-rosa.

Temos no Brasil casos admiráveis de salvação de espécies ameaçadas, e casos vergonhosos de espécies que se extinguiram. Como exemplo dos últimos, cita-se a extinção na natureza da ararinha azul, (Cyanopsitta spixii) que vivia na caatinga bahiana, que não é mais vista livre desde 1990. O futuro da espécie está nas mãos do xeique Saoud Bin Ali Al Thani, do Quatar, que tem 55 exemplares da ave, tratadas com todo o cuidado possível naquele país. 

Outra ararinha azul (Anodorhynchus leari), também habitante da caatinga bahiana, onde se alimenta quase que exclusivamente da palmeira licuri (Syagrus coronata), pode ser citada como uma espécie salva do destino cruel de sua parente extinta. Parceria entre diversas ONGs criou o Programa de Conservação da Arara-azul-de-lear, que conseguiu aumentar o número de exemplares na natureza de 70 aves em 1980 para 750 atualmente. Caçadores e traficantes de animais, seres desprezíveis que não entendem o alcance de sua ação covarde, foram neutralizados e a comunidade motivada à campanha pela preservação.

O caso da baleia jubarte também deve ser citado. Com a proibição da infame pesca da baleia, o número destes animais subiu de 500 em meados do século XX para 15.000 atualmente. Outra espécie que corria sério risco de extinção é o mico-leão-dourado, salvo pela ação do Ibama e a Associação do Mico-Leão-Dourado, que conseguiram fazer o número de animais na reserva de Poço das Antas, no Rio de Janeiro, de 40 para mais de 1.600 em cerca de 20 anos.    

No mundo, a situação não é diferente, e um exemplo clássico de extinção vem da Nova Zelândia, habitada pelos moas, grandes aves que, como os avestruzes, não voavam, e que chegavam a três metros de altura e 225 kg de peso. Perseguidas como presa fácil pelos maoris, os primeiros colonos a chegar naquela ilha, em poucas gerações os moas foram exterminados, e segundo escavações efetuadas nos sítios arqueológicos locais, entre 100.000 e 500.000 aves da espécie morreram.

Nas Ilhas Maurício, uma ave similar, os dodôs, foram exterminados por marinheiros que ali aportavam à procura de comida, e em 1681 o último foi morto. O órix-da-arábia, um belo antílope que habitava o Oriente Próximo, depois de aturar milhares de anos de caçadas, foi extinto pelo advento do rifle de alta precisão, nas mãos de sádicos que adoram transformar belos e raros animais em bife. Alguns hoje enfeitam as sinistras salas de troféus, onde o dono, ao admirar a beleza morta de animais raros, tenta esquecer sua própria insignificância.

Ganância x Salvação

A história é a mesma, de um lado a ganância de contrabandistas de animais selvagens, as tradicionais “medicinas” populares e os caçadores covardes que só matam à distancia, e do outro o esforço governamental em associação a cidadãos motivados tentando salvar espécies antes ameaçadas e sanar o estrago cometido pelos primeiros. Um exemplo radical vem da Ìndia. Ciumenta ao extremo de sua fauna, o governo de uma província indiana liberou a caça aos caçadores; a partir de 2012, deixará de considerar crime a morte de caçadores que forem apanhados em flagrante matando tigres, elefantes e outras espécies.  

Também ciumenta de seus ursos pandas, o governo da China sancionou a pena de morte para caçadores daqueles belíssimos animais, endêmicos àquele país. A lista Vermelha de Espécies Ameaçadas lista hoje 70.000 espécies. Talvez iniciativas como as citadas acima, bem como o crescente interesse dos cidadãos do mundo em manter o exuberante espetáculo de vida no planeta, nos legue um mundo onde, como dizia Carl Sagan, sempre existirá algo maravilhoso esperando para ser descoberto.

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